O QUE É A “COMUNHÃO DOS SANTOS”?

Em cada missa dominical, os católicos do mundo inteiro professam o Símbolo da Fé (CREDO). Dentre os vários artigos professados encontra-se o da comunhão dos santos. Todo católico diz: “Creio na comunhão dos santos.”, Mas será que compreendem o que significa esta expressão? Vamos aprofundar.

 

A Igreja em si compreende a comunhão de todos os fieis em Cristo, tanto vivos quanto falecidos, conforme nos ensina o Credo do Povo de Deus elaborado pelo Papa Paulo VI. Formam uma só e única Igreja “os que são peregrinos na terra, dos de juntos que estão terminando a sua purificação (no Purgatório), dos bem-aventurados do Céu”. Este vínculo se dá graças ao fato de que todos os batizados em Cristo formam Seu corpo, conforme nos lembra o Apóstolo Paulo (I Cor 12,27).

No Novo Testamento, a expressão “santos” é utilizada para a Igreja e seus membros.

A comunhão dos santos corresponde a comunhão das pessoas santas (Sancti) e a comunhão das coisas santas (Sancta). A comunhão das coisas santas começa em Cristo que comunica através dos sacramentos seu próprio bem a todos os membros da Igreja, em especial pela Eucaristia fonte de união dos fieis em Cristo. Todos os membros da Igreja recebendo de Cristo-cabeça os dons espirituais e sacramentais os utilizamos para nos ajudarmos uns aos outros a nos configurarmos plenamente a Cristo.

A comunhão dos santos (e das coisas santas) se dá de diversos modos:

1. Comunhão na fé; 2. Comunhão dos sacramentos; 3. Comunhão dos carismas; 4. Comunhão de bens; 5. Comunhão da caridade; 6. Comunhão na Oração; 7.Comunhão entre a Igreja do Céu e da terra (intercessão os santos e oração pelos falecidos).

Daremos destaque à comunhão entre a Igreja do Céu e a da terra.

Aqui repousa uma intensa discussão entre católicos e protestantes (neo) pentecostais. As comunidades oriundas da Reforma¹ e os Ortodoxos em certa medida comungam de um relativo grau de concordância como nos mostrará a famosa Declaração de Malta².

A Igreja sempre teve como artigo de fé que ao morrermos já receberíamos o juízo particular, ou seja, “cada homem recebe em sua alma a retribuição eterna a partir do momento da morte” (CIC § 1022). Portanto, há os que gozam da alegria do Céu, aqueles que padecem no Inferno e há os que são purificados no Purgatório. Aos que estão no Inferno não há mais o vínculo eclesiástico, pois seriam aqueles que escolheram a vida longe de Cristo.

Porém subiste entre os peregrinos neste mundo e aqueles que morreram na amizade de Deus um vínculo de assistência mútua que a morte não interrompe. O Magistério reconhece três estados da Igreja: a Igreja peregrina (os vivos na terra), Igreja em purificação (almas do Purgatório) e a Igreja glorificada (diante de Deus. Os santos e santas) (CIC § 954).

Nós, Igreja Peregrina, nos valemos da intercessão daqueles que nos precedem na Glória Eterna e já estão diante de Deus e que devido a íntima união com Cristo por nós suplicam em favor de nossa santificação e salvação. São Domingos de Gusmão, fundador dos dominicanos, teria dito em seu leito de morte: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida.”

Por outro lado, nós podemos e devemos interceder uns pelos outros unidos pelos vínculos da fé e da caridade. “A caridade não procura seu próprio interesse” (1Cor 13,5) nos dirá São Paulo e ainda Ele: “Ninguém de nós vive e ninguém morre para si mesmo” (Rm 14,7). Ninguém possui um carisma para si próprio. Ninguém deve ter amor para si próprio. Ninguém deve orar apenas para si. Todos os frutos espirituais devem ser colocados a serviço de todos os irmãos. Esta é a comunhão que une os santos.

Nossa Senhora em suas Aparições de Fátima pedia que se fizessem orações pelo destino da humanidade, portanto Ela fazia compreender que intercessões uns pelos outros têm força salvífica. Inclusive na quarta aparição (15-08-1917) ela teria dito: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”. Há portanto uma comunicação de bens espirituais entre os fieis. Santa Terezinha do menino Jesus chegava a dizer: “Quero passar o meu céu a fazer o bem sobre a terra”. E este bem seria feito pela sua incessante intercessão junto a Deus pelos que na terra ficariam.

Além da intercessão mútua entre nós, devemos interceder por aqueles que mesmo tendo morrido na amizade de Deus, ainda levaram consigo resquícios de apego ao pecado e estão a se purificar no Purgatório. As almas destes fieis já não podem adquirir méritos por si próprias, mas recebem os frutos de nossa intercessão a Deus para que o amor que existe nelas as penetre por inteiro e possam ir para a Glória do Céu. Eis a razão de celebramos missas em favor da alma de fieis defuntos.

Como vimos, a comunhão dos santos (que é um dogma) nos demonstra a riqueza do amor misericordioso de Deus para com aqueles que integram o Corpo de Cristo (batizados) e que se mantêm unidos pelo vínculo da assistência mútua. Vínculo que a morte não interrompe. Vínculo que nos une rumo à Pátria Celeste.

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¹ Comunidades oriundas da Reforma: Compreendem as comunidades eclesiais surgidas após a Reforma Protestante de Lutero quais teriam sido os Luteranos, Anglicanos e Presbiterianos (Reformados).

² Declaração de Malta: Documento oriundo de um Congresso Internacional Mariológico realizado em 1983 e que reuniu teólogos Católicos, Luteranos, Anglicanos e Ortodoxos. Disponível em: http://www.apologeticacatolica.com.br/agnusdei/div21.htm

 

FONTES

 

Bíblia Sagrada. Ave Maria.

Catecismo da Igreja Católica. Edição Típica Vaticana.

Apostila do Curso de Eclesiologia. Escola Mater Ecclesiae. (Adquirido em julho de 2012).

Livro: “Os dogmas da fé: a doutrina católica”. 1ª ed. Editora Cleofas: 2011. Prof. Felipe Aquino.

Link: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/motu_proprio/documents/hf_p-vi_motu-proprio_19680630_credo.html

Link: http://www.acnsf.org.br/article/7627/As-seis-aparicoes-de-Fatima.html

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