EPISÓDIO 4: OS MONGES E A CIVILIZAÇÃO

Como vimos, após o declínio político do Império Romano do Ocidente com a tomada da cidade de Roma e a deposição de seu último imperador, Rômulo Augusto, a Europa passou a ser constituída por diversos reinos bárbaros. Em meio ao caos, a Igreja Católica despontou como a única força capaz de reunificar o continente estraçalhado pelas hordas estrangeiras.

Ao lado dos bispos, que diante da população passaram a exercer funções administrativas e serem referência de autoridade, um outro grupo de pessoas piedosas assumiu protagonismo no processo de reconstrução civilizacional: foram os MONGES. O fim das perseguições no século IV e a melhor integração dos cristãos ao mundo romano fizeram com que muitas pessoas piedosas buscassem o isolamento para se dedicarem plenamente a uma vida de oração e piedade, haja vista não se identificarem com aquela sociedade de hábitos e costumes tão nocivos à fé e à moralidade cristãs.

No Oriente, do Império Bizantino, destacou-se uma forma de vida monástica mais solitária, surgindo a figura do eremita. Homens que viviam sozinhos e sobreviviam de esmolas e coletas de alimentos naturais. No Oriente, o imperador Justiniano promulgou leis que restringiam a vida monástica comunitária, o que fez multiplicar o número de adeptos da forma solitária.

O pai do monasticismo é Santo Antão, tido como o primeiro monge eremita.

No Ocidente, dos antigos territórios do Império Romano, a forma predominante de vida monástica foi a comunitária. O desenvolvimento monástico no ocidente se deu a partir dos escritos de João Cassiano que inspirariam todas as gerações de monges dali em diante. O local onde os monges passaram a viver em comunidade eram os mosteiros. Neles, cada monge possuía um pequeno quarto para suas meditações e descanso chamado cenóbio ou cela. Daí, também chamarem a vida monástica ocidental de cenobítica. Em pouco tempo, a Europa estava repleta de mosteiros, que concentravam a vida espiritual nos territórios em que se encontravam.

Algumas figuras notáveis do catolicismo exaltavam e contribuíram para o desenvolvimento do monaquismo. São Jerônimo introduziu o gosto pela leitura bíblica e prezava pelo desenvolvimento intelectual dos monges; Santo Agostinho foi o responsável pela combinação de vida monástica com a ordenação sacerdotal e o papa São Gregório Magno, por ter sido um monge, era um incentivador desse estilo de vida e junto com São Bento foi um grande legislador do monasticismo. Essas contribuições foram decisivas no Ocidente.

Precedendo o surgimento de uma comunidade de monges, havia a figura do pai fundador que estabelecia uma compilação de normas a serem seguidas pelos monges e que os guiaria em sua vida espiritual e laboral, chamada de REGRA. A mais famosa ordem monástica que surgiu na Europa e foi decisiva para o desenvolvimento daquela sociedade foi a ORDEM DOS BENEDITINOS, fundada por São Bento de Núrsia (+547).

A Regra de sua Ordem resumia-se na frase: “Ora et Labora” (“Ore e Trabalhe”). Construiu o Mosteiro de Monte Cassino na Itália.

São Bento por meio de sua regra conseguiu dotar os monges como uma tal disciplina que eles conseguiam desdobrar sua rotina no mosteiro entre a oração e o trabalho pesado. Isto foi determinante para a recuperação da sociedade medieval.

Ao mesmo tempo, os monges passaram a ser tanto homens de fé, como exímios trabalhadores nas mais diversas atividades, como, por exemplo, na agricultura por meio do cultivo de terras outrora arrasadas pelas invasões bárbaras e pelos vikings.

Uma importantíssima contribuição dos monges à civilização ocidental foi a de preservação de obras dos antigos pensadores greco-romanos. Neste ponto, foi de suma relevância o trabalho realizado pelos monges copistas que manuscreviam os livros e mantinham vastas bibliotecas. Nesta atípica função de mantenedores do conhecimento, os monges passaram a ter grande protagonismo na educação medieval, assim permanecendo até o surgimento das universidades.

O rei franco Carlos Magno inaugurou uma política voltada para o reerguimento cultural da Europa e para tanto contou com o apoio dos monges. O monge beneditino inglês Alcuíno foi conselheiro do rei e se tornou grande propagador do movimento restaurador de Carlos Magno, chamado de Renascimento Carolíngio.

Muitas ordens de monges surgiram na Europa medieval e séculos seguintes, tais como os Dominicanos, Cistercienses e Redentoristas.

Em resumo, a atuação dos monges após a queda de Roma foi de vital importância para a evangelização dos povos bárbaros e a retomada da civilização ocidental europeia. A dedicação destes homens à oração, ao estudo e ao trabalho manual resultaram no reerguimento da cultura ocidental.

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